- 19 Dez 2025, 15:15
#168098
Em um episódio do desenho animado “Clarêncio, o otimista”, o protagonista homônimo é ridicularizado no ambiente escolar em função de seu hálito desagradável, causado por uma má higiene bucal. Este recorte, ainda que ficcional, pode ser associado à realidade brasileira, na qual muitos cidadãos sofrem com a saúde bucal, seja fisicamente, seja socialmente. Nesse sentido, a fim de realçar a importância dessa problemática, é necessário analisar os principais fatores que a impulsionam: negligência estatal e lacuna educativa.
Diante dessa premissa, é lícito responsabilizar a inoperância governamental no que concerne a essa situação. Acerca disso, Platão, filósofo grego, em seu livro “A república”, frisou a essencialidade de um governo ético, virtuoso e preocupado com as adversidades sociais. No entanto, indo de encontro à essência platônica, governantes, por vezes, priorizam pautas econômicas e exacerbadamente pragmáticas em detrimento das temáticas que envolvem o corpo cívico de forma direta – por exemplo, a saúde coletiva em todas as suas esferas –, afinal, aquelas geram capital político e estatístico, a partir de demonstrações do aprimoramento dos índices econômicos, enquanto essas exigem maior dedicação na estruturação de políticas públicas afirmativas – no caso em discussão, uma possibilidade seria a elaboração de campanhas de conscientização em massa a respeito da higiene bucal, medida a qual não detém potência política no senso de suscitar engajamento e captação. Em efeito, desprovidos do auxílio da máquina estatal, parcelas cívicas tendem a não deter uma base científica e/ou pedagógica frente à higiene bucal, escovando pouco os dentes e não utilizando o fio dental, ausências as quais promovem doenças e podem, inclusive, ferir a qualidade de vida. Dito isso, visando à mitigação desse empecilho, a política brasileira deve estar à altura do pensamento de Platão.
Ademais, atribui-se, à omissão educacional, a responsabilidade por esse cenário. A tal respeito, o sociólogo Pierre Bourdieu argumenta que as instituições escolares
sustentam desigualdades históricas e não viabilizam a expansão da criticidade discente. Nessa lógica, essa crítica é coerente, haja vista que a maioria dos colégios possui um arcabouço pedagógico moldado, unicamente, para assegurar a preparação do estudante ora a exames universitários, ora ao mercado de trabalho, tornando-o passivo e “mecanizado” a partir de uma abordagem conteudista, e não humanitária. Esse modo de operação, intitulado de “tecnicismo”, cria alunos tecnicamente competentes, contudo, com um olhar crítico reduzido, o que afeta, por exemplo, a capacidade de discernir elementos periculosos nas múltiplas camadas na vida, dentre as quais está a saúde e, por subcategoria, a bucal. Repleto de questões e de tarefas, mas não de ensinamentos profundos relativos às necessidades fisiológicas, alguns discentes podem sofrer com a falta de higiene dentária adequada, fato que o torna um potencial alvo de ofensas e de ridicularizações, porquanto a condição promove hálito com odores desagradáveis, em função das reações microbianas que geram ácido sulfídrico (H2S) como produto, afetando o bem-estar psicológico e corroborando a sociologia de Bourdieu.
Portanto, com a finalidade de consolidar a importância da saúde bucal, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Educação – órgão responsável pela instrução e pelos recursos didáticos brasileiros –, tem de não somente estruturar a conscientização da coletividade no que tange à necessidade de se escovar os dentes, mas também a organização de palestras em âmbito escolar. Essas palestras devem ser realizadas nas aulas de Biologia e de Sociologia, visando à combinação entre fatores biológicos e, sobretudo, sociocomportamentais, estimulando senso crítico em todo o corpo estudantil. Feito isso, Clarêncio afastar-se-á do que rege a nação brasileira.
Diante dessa premissa, é lícito responsabilizar a inoperância governamental no que concerne a essa situação. Acerca disso, Platão, filósofo grego, em seu livro “A república”, frisou a essencialidade de um governo ético, virtuoso e preocupado com as adversidades sociais. No entanto, indo de encontro à essência platônica, governantes, por vezes, priorizam pautas econômicas e exacerbadamente pragmáticas em detrimento das temáticas que envolvem o corpo cívico de forma direta – por exemplo, a saúde coletiva em todas as suas esferas –, afinal, aquelas geram capital político e estatístico, a partir de demonstrações do aprimoramento dos índices econômicos, enquanto essas exigem maior dedicação na estruturação de políticas públicas afirmativas – no caso em discussão, uma possibilidade seria a elaboração de campanhas de conscientização em massa a respeito da higiene bucal, medida a qual não detém potência política no senso de suscitar engajamento e captação. Em efeito, desprovidos do auxílio da máquina estatal, parcelas cívicas tendem a não deter uma base científica e/ou pedagógica frente à higiene bucal, escovando pouco os dentes e não utilizando o fio dental, ausências as quais promovem doenças e podem, inclusive, ferir a qualidade de vida. Dito isso, visando à mitigação desse empecilho, a política brasileira deve estar à altura do pensamento de Platão.
Ademais, atribui-se, à omissão educacional, a responsabilidade por esse cenário. A tal respeito, o sociólogo Pierre Bourdieu argumenta que as instituições escolares
sustentam desigualdades históricas e não viabilizam a expansão da criticidade discente. Nessa lógica, essa crítica é coerente, haja vista que a maioria dos colégios possui um arcabouço pedagógico moldado, unicamente, para assegurar a preparação do estudante ora a exames universitários, ora ao mercado de trabalho, tornando-o passivo e “mecanizado” a partir de uma abordagem conteudista, e não humanitária. Esse modo de operação, intitulado de “tecnicismo”, cria alunos tecnicamente competentes, contudo, com um olhar crítico reduzido, o que afeta, por exemplo, a capacidade de discernir elementos periculosos nas múltiplas camadas na vida, dentre as quais está a saúde e, por subcategoria, a bucal. Repleto de questões e de tarefas, mas não de ensinamentos profundos relativos às necessidades fisiológicas, alguns discentes podem sofrer com a falta de higiene dentária adequada, fato que o torna um potencial alvo de ofensas e de ridicularizações, porquanto a condição promove hálito com odores desagradáveis, em função das reações microbianas que geram ácido sulfídrico (H2S) como produto, afetando o bem-estar psicológico e corroborando a sociologia de Bourdieu.
Portanto, com a finalidade de consolidar a importância da saúde bucal, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Educação – órgão responsável pela instrução e pelos recursos didáticos brasileiros –, tem de não somente estruturar a conscientização da coletividade no que tange à necessidade de se escovar os dentes, mas também a organização de palestras em âmbito escolar. Essas palestras devem ser realizadas nas aulas de Biologia e de Sociologia, visando à combinação entre fatores biológicos e, sobretudo, sociocomportamentais, estimulando senso crítico em todo o corpo estudantil. Feito isso, Clarêncio afastar-se-á do que rege a nação brasileira.