Privacy Policy Terms of Service Admin Panel Contact Us Site Map RSS Feed Link 7 Link 8
Foram encontradas 286 questões
256
Ano: 2024    Banca: INEP    Órgão: ENEM    Prova: INEP - 2024 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - primeiro e segundo dia

Cap. XLVIII / Terpsícore

Ao contrário do que ficou dito atrás, Flora não se aborreceu na ilha. Conjeturei mal, emendo-me a tempo. Podia aborrecer-se pelas razões que lá ficam, e ainda outras que poupei ao leitor apressado; mas, em verdade, passou bem a noite. A novidade da festa, a vizinhança do mar, os navios perdidos na sombra, a cidade defronte com os seus lampiões de gás, embaixo e em cima, na praia e nos outeiros, eis aí aspectos novos que a encantaram durante aquelas horas rápidas
. Não lhe faltavam pares, nem conversação, nem alegria alheia e própria. Toda ela compartia da felicidade dos outros. Via, ouvia, sorria, esquecia-se do resto para se meter consigo. Também invejava a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia, com o absoluto poder de despedir ministros e damas, visitas e requerentes, e ficar só, no mais recôndito do paço, fartando-se de contemplação ou de música. Era assim que Flora definia o ofício de governar. Tais ideias passavam e tornavam. De uma vez alguém lhe disse, como para lhe dar força: “Toda alma livre é imperatriz!”.
ASSIS, M. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.

Convidada para o último baile do Império, na Ilha Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, Flora devaneia sobre aspectos daquele contexto, no qual o narrador ironiza a
  • A
    promessa de esperança com o futuro regime.
  • B
    alienação da elite em relação ao fim da monarquia.
  • C
    perspectiva da contemplação distanciada da capital.
  • D
    animosidade entre população e membros da nobreza.
  • E
    fantasia de amor e de casamento da mulher burguesa.
  • Gabarito Comentado
  • Comentários (0)
  • Aulas (0)
  • Estatísticas
  • Cadernos
  • Notificar Erro
257
Ano: 2024    Banca: INEP    Órgão: ENEM    Prova: INEP - 2024 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - primeiro e segundo dia

TEXTO I
A 13 de fevereiro de 1946, Graciliano Ramos escreve uma carta a Cândido Portinari relembrando uma visita que lhe fizera quando tivera a ocasião de apreciar algumas telas da série Retirantes. Diz o escritor alagoano:
Caríssimo Portinari:
A sua carta chegou muito atrasada, e receio que esta resposta já não o ache fixando na tela a nossa pobre gente da roça. Não há trabalho mais digno, penso eu. Dizem que somos pessimistas e exibimos deformações; contudo, as deformações e essa miséria existem fora da arte e são cultivadas pelos que nos censuram. [...]
Dos quadros que você me mostrou quando almocei no Cosme Velho pela última vez, o que mais me comoveu foi aquela mãe com a criança morta. Saí de sua casa com um pensamento horrível: numa sociedade sem classes e sem miséria, seria possível fazer-se aquilo? Numa vida tranquila e feliz, que espécie de arte surgiria? Chego a pensar que teríamos cromos, anjinhos cor-de-rosa, e isto me horroriza. Graciliano
Disponível em: https://graciliano.com.br. Acesso em: 6 fev. 2024 (adaptado).

TEXTO II
Histórias de ninar (adultos)
Houve um tempo — tão perto, e, ó, tão longe — em que a arte era um holofote na unha encravada, não um campeonato de melhores esmaltes.
Raskolnikov matava velhinhas, a família de Gregor Samsa o assassinava a “maçãzadas”, Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) é o retrato mais perfeito de tudo o que tem de pior na sociedade brasileira, uma sequência tristemente hilária de ações moralmente condenáveis, atitudes pusilânimes, cálculos mesquinhos e maus passos cretinos.
A literatura, o cinema e o teatro vêm se transformando num exercício de lacração: o mal está sempre no outro, os protagonistas são ironmen /women da virtude. A pessoa sai da leitura ou da sessão não com a guarda abaixada, as certezas abaladas, mais próxima da verdade (ou, à falta de uma palavra melhor, da sinceridade): sai com suas certezas reforçadas.
A realidade é confusa. Contraditória. Muitas vezes incompreensível. A arte é onde tentamos nos mostrar nus, com todos os nossos defeitos.
PRATA, A. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 12 jan. 2024 (adaptado).

No que diz respeito à arte, o posicionamento de Antônio Prata, no Texto II, aproxima-se da tese de Graciliano Ramos, no Texto I, uma vez que ambos
  • A
    defendem a dignidade do ofício dos artistas.
  • B
    concluem que a arte reforça crenças pessoais.
  • C
    apresentam a pobreza como inspiração para a arte.
  • D
    afirmam o necessário caráter desestabilizador da arte.
  • E
    atestam que há mudanças significativas na produção artística.
  • Gabarito Comentado
  • Comentários (0)
  • Aulas (0)
  • Estatísticas
  • Cadernos
  • Notificar Erro
258
Ano: 2024    Banca: INEP    Órgão: ENEM    Prova: INEP - 2024 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - primeiro e segundo dia

Meu irmão é filho adotivo. Há uma tecnicidade no termo, filho adotivo, que contribui para sua aceitação social. Há uma novidade que por um átimo o absolve das mazelas do passado, que parece limpá-lo de seus sentidos indesejáveis. Digo que meu irmão é filho adotivo e as pessoas tendem a assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada. Talvez compartilhem da minha inquietude, talvez de fato se esqueçam do assunto no próximo gole ou na próxima garfada. Se a inquietude continua a reverberar em mim, é porque ouço a frase também de maneira parcial — meu irmão é filho — e é difícil aceitar que ela não termine com a verdade tautológica habitual: meu irmão é filho dos meus pais. Estou entoando que meu irmão é filho e uma interrogação sempre me salta aos lábios: filho de quem?
FUCKS, J. A resistência. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.

Das reflexões do narrador, apreende-se uma perspectiva que associa a adoção
  • A
    a representações sociais estigmatizadas da parentalidade.
  • B
    à necessidade de aprovação por parte de desconhecidos.
  • C
    ao julgamento velado de membros do núcleo familiar.
  • D
    ao conflito entre o termo técnico e o vínculo afetivo.
  • E
    a inquietações próprias das relações entre irmãos.
  • Gabarito Comentado
  • Comentários (0)
  • Aulas (0)
  • Estatísticas
  • Cadernos
  • Notificar Erro
259
Ano: 2024    Banca: INEP    Órgão: ENEM    Prova: INEP - 2024 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - primeiro e segundo dia

Data venia
Conheci Bentinho e Capitu nos meus curiosos e antigos quinze anos. E os olhos de água da jovem de Matacavalos atraíram-me, seduziram-me ao primeiro contato. Aliados ao seu jeito de ser, flor e mistério. Mas tomou-me também a indignação diante do narrador e seu texto, feito de acusação e vilipêndio. Sem qualquer direito de defesa. Sem acesso ao discurso, usurpado, sutilmente, pela palavra autoritária do marido, algoz, em pele de cordeiro vitimado. Crudelíssimo e desumano: não bastasse o que faz com a mulher, chega a desejar a morte do próprio filho e a festejá-la com um jantar, sem qualquer remorso. No fundo, uma pobre consciência dilacerada, um homem dividido, que busca encontrar-se na memória, e acaba faltando-se a si mesmo. Retomei inúmeras vezes a triste história daquele amor em desencanto. Familiarizei-me, ao longo do tempo, com a crítica do texto; poucos, muito poucos, escapam das bem traçadas linhas do libelo condenatório; no mínimo concedem à ré o beneplácito da dúvida: convertem-na num enigma indecifrável, seu atributo consagrador.
Eis que, diante de mais um retorno ao romance, veio a iluminação: por que não dar voz plena àquela mulher, brasileira do século XIX, que, apesar de todas as artimanhas e do maquiavelismo do companheiro, se converte numa das mais fascinantes criaturas do gênio que foi Machado de Assis?
A empresa era temerária, mas escrever é sempre um risco. Apoiado no espaço de liberdade em que habita a Literatura, arrisquei-me.
O resultado: este livro em que, além-túmulo, como Brás Cubas, a dona dos olhos de ressaca assume, à luz do mistério da arte literária e do próprio texto do Dr. Bento Santiago, seu discurso e sua verdade.
PROENÇA FILHO, D. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Atrium, 1998.

Para apresentar a apropriação literária que faz da obra de Machado de Assis, o autor desse texto
  • A
    relaciona aspectos centrais da obra original e, então, reafirma o ponto de vista adotado.
  • B
    explica os pontos de vista de críticos da literatura e, por fim, os redimensiona na discussão.
  • C
    introduz elementos relevantes da história e, na sequência, apresenta motivos para refutá-los.
  • D
    justifica as razões pelas quais adotou certa abordagem e, em seguida, reconsidera tal escolha.
  • E
    contextualiza o enredo de forma subjetiva e, na conclusão, explicita o foco narrativo a ser assumido.
  • Gabarito Comentado
  • Comentários (0)
  • Aulas (0)
  • Estatísticas
  • Cadernos
  • Notificar Erro
260
Ano: 2024    Banca: INEP    Órgão: ENEM    Prova: INEP - 2024 - ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - primeiro e segundo dia

Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens, contando como meu trabalho com a música mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me emociono quando escrevem que não são aceitos pelos pais por serem diferentes, e como minhas músicas são uma companhia e os libertam nessas horas de solidão.
Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que nunca tivemos essa superpopulação no planeta: haja competitividade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar, ralar para arranjar trabalho, ser mal remunerado, ser bombardeado com trocentas informações, lavagens cerebrais...
Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada e dizer a ela que a barra é pesada mesmo, mas que a juventude está a seu favor e, de repente, a maré de tempestade muda. Diria também um monte de clichê: que vale a pena estudar mais, pesquisar mais, ler mais. Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente, que o que é normal para uma aranha é o caos para uma mosca.
Meninada, sintam-se beijados pela vovó Rita.
RITA LEE. Outra autobiografia. São Paulo: Globo Livros, 2023.

Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora usa uma postura de empatia explicitada em
  • A
    “Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens”.
  • B
    “Fico no céu lendo essas coisas”.
  • C
    “Sinto que é mais complicado ser jovem hoje”.
  • D
    “Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada”.
  • E
    “Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente”.
  • Gabarito Comentado
  • Comentários (0)
  • Aulas (0)
  • Estatísticas
  • Cadernos
  • Notificar Erro

A violência contra a mulher no trânsito no Brasil […]

As redes sociais tornaram-se um dos espaços princi[…]

As redes sociais tornaram-se um dos espaços princi[…]

As redes sociais tornaram-se um dos espaços princi[…]

Corrija seu texto agora mesmo, é de GRAÇA!

Seu Cookie

O Corrija.com utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.

Aguarde…
Não atualize a página.