É urgente apontar o dedo para a raiz do problema: a desigualdade histórica que ainda dita quem manda e quem obedece no Brasil. No papel, nossa Constituição Federal de 1988 — a pomposa "Carta Magna" — é um monumento de direitos e garantias fundamentais, prometendo dignidade para toda a coletividade nacional. Na prática, contudo, o texto constitucional é desmentido pelo sangue. Segundo dados alarmantes do Senado Federal, entre 2015 ao final de 2023, no mínimo 13.703 mulheres foram executadas pelo simples fato de serem mulheres. Esses milhares de nomes convertidos em frias estatísticas provam que, para metade da população brasileira, a Constituição ainda é uma ficção jurídica.
Mais do que a crueldade física, o que choca é a engenharia do medo. A insegurança jurídica e a dependência — tanto emocional quanto econômica — formam uma armadilha perfeita que silencia as vítimas. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) jogam luz sobre uma ironia trágica: a maioria esmagadora dos feminicídios ocorre dentro de casa, cometida por parceiros ou ex-parceiros. O lar, que deveria ser o santuário do acolhimento, transforma-se no corredor da morte. Sem uma rede de apoio econômica e psicológica que lhes dê retaguarda, muitas mulheres são forçadas a escolher entre o risco da denúncia e o perigo do silêncio. Sem a denúncia, o Estado se exime, a punição não chega e a engrenagem da violência continua girando livremente.
Portanto, diante dos entraves mencionados, não podemos continuar assistindo passivamente a esse massacre cotidiano fingindo que as notas de repúdio bastam. Para asfixiar o feminicídio, o Estado precisa descer do salto burocrático. Urge que o Ministério da Justiça e as secretarias de segurança pública abandonem o reacionarismo e ampliem de forma agressiva as delegacias especializadas, o policiamento preventivo e as casas de acolhimento. Mais do que isso, precisamos de campanhas de conscientização massivas que arranquem o debate do tabu e encorajem as vítimas a quebrar o silêncio. Punir o agressor é remediar o luto; educar a sociedade e dar autonomia financeira às mulheres é evitar o enterro. Só assim limparemos as mãos dessa omissão e construiremos uma nação verdadeiramente digna.
-
C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita, neste nível, são aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizam reincidência.
-
C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.
-
C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
-
C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula bem as ideias, os argumentos, as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações.
-
C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora excelente proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. Trata-se de redação cuja proposta de intervenção seja muito bem elaborada, relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, abrangente e bem detalhada.
Erros/norma: poucas pequenas falhas de concordância/fluidez (ex.: “a crônica falta de proteção efetiva oferecida ao público feminino” pode soar confuso; ajuste para clareza: “a falta de proteção efetiva oferecida às mulheres”); utilize conectores de forma mais precisa para evitar repetições. Comp2/3: o tema é bem compreendido e as fontes são usadas de modo adequado; mantenha sempre a linha argumentativa com dados explícitos entre parênteses ou notas para fortalecer a credibilidade. Comp4: há progressão lógica, mas some reiterações; priorize conectivos de causalidade/consequência. Comp5: intervenção presente com agente, ação, meio e finalidade; para melhoria, detalhe como cada ação será implementada (ex.: metas, cronograma, orçamento) para tornar a proposta mais concreta e acionável.
Para receber uma correção mais robusta e completa, com comentários detalhados, ative o Selo de Apoiador clicando em Desbloquear (acima), ou conquiste o Selo de Prioritário interagindo com outros usuários.