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Por EduardaEllen
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No documentário indiano “Absorvendo o tabu”, vencedor do Óscar em 2019, um grupo de mulheres criam absorventes higiênicos de baixo custo para ter sua independência financeira e, ao mesmo tempo, melhorar a higiene feminina, tendo expandido seu negócio para mais 40 aldeias na área rural da Índia. Em contraste, nota-se, na conjuntura brasileira do século XXI, aspectos divergentes no que tange à questão do reconhecimento da contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local, já que ainda é um desafio a ser sanado. Nesse sentido, é importante destacar que a falta de uma educação de qualidade e a incúria estatal são fatores que inibem a ação de empreendedores, a qual traz inúmeros benefícios, a exemplo da diminuição do desemprego e da dinamização dos nichos produtivos.
Diante desse cenário nefasto, pontua-se, de início, que a lacuna educacional do país garante a permanência do imbróglio. Nessa perspectiva, com o advento da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica e Informacional, passou-se a exigir um alto grau de instrução para que as pessoas conseguissem ascensão profissional. Entretanto, desde a Crise de 1929, ficou claro que o desemprego, derivado da falência precoce de corporações, está relacionado à falta de oferta de um ensino voltado para às demandas do mercado regional e nacional, além de profissionais especializados no planejamento financeiro, dificultando o crescimento de empresas locais e desestimulando os estudantes a optarem pelo empreendedorismo. Assim, ao não preparar os indivíduos para as atividades trabalhistas, a Escola perde a sua função social e aumenta diretamente o número de desempregados.
Ademais, vale ressaltar, também, que a negligência por parte do Estado evidencia práticas para legitimar o capitalismo monopolista, fase do sistema econômico em que uma instituição passa a controlar a oferta como única fornecedora. Diante disso, é lícito referenciar o conceito de amensalismo social, criado por Jason Lima, linguista brasileiro, que, semelhante à relação ecológica, afirma que uma classe dominante, para manter seu poder, impede o desenvolvimento de grupos menos favorecidos. Em consonância, a parcialidade do Estado favorece as elites que monopolizam o mercado e impedem a ascensão de novos empreendedores, prejudicando o consumidor que se restringe apenas a uma seleção de produtos de uma determinada empresa. Desse modo, o Estado Democrático deve garantir que o princípio capitalista da livre concorrência, além da livre iniciativa, seja incentivado com base nas demandas dos compradores e nas ofertas do empreendedorismo local.
Depreende-se, portanto, a necessidade de reconhecimento e de valorização do empreendedorismo no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação - órgão público responsável pela regulamentação da educação -, por meio de uma alteração na matriz curricular, tornar a disciplina de Empreendedorismo obrigatória nas escolas a partir do ensino fundamental, a fim de garantir que os estudantes possuam competência na área e possam adentrar no meio laboral. Além disso, o Ministério da Fazenda - órgão responsável pela formulação da política econômica -, através da regularização da Receita Federal, deve elaborar um projeto voltado para a redução dos impostos cobrados aos empreendedores, com a finalidade de incentivar a dinamização da oferta local de produtos. Somente assim, fenômenos como o observado em “Absorvendo o tabu” serão mais frequentes no País.
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