A manutenção desses impasses decorre de fatores históricos e culturais que se naturalizaram com o tempo. Ao considerar a urbanização acelerada do Brasil a partir do século XX, marcada pela expansão desordenada das cidades e pela priorização do transporte individual em detrimento do coletivo, percebe-se que práticas do passado continuam a influenciar o presente. O pensamento de Milton Santos, ao ressaltar que o espaço urbano revela as contradições do desenvolvimento desigual, reforça essa análise ao mostrar como negligências estruturais se consolidam e criam padrões invisíveis de exclusão. Isso indica que o problema atual não surgiu de forma repentina, mas resulta de processos longos e resistentes a mudanças superficiais. Enfrentá-lo implica, assim, revisitar suas origens e questionar tradições enraizadas, assegurando uma visão crítica e mais ampla da realidade.
Além disso, a persistência da mobilidade urbana precária está ligada à invisibilidade atribuída a demandas urgentes. De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 35% da população brasileira gasta mais de duas horas diárias em deslocamentos urbanos e, em muitos casos, enfrenta problemas relacionados à poluição e ao estresse. Esse dado evidencia a permanência da desigualdade e a falta de políticas consistentes, bem como de fiscalização eficaz. Quando trabalhadores de baixa renda são marginalizados, as consequências se refletem em atrasos, perda de produtividade e desigualdade no acesso a serviços básicos. A teoria de Henri Lefebvre, ao destacar o “direito à cidade” como um direito coletivo, reforça a compreensão de como a falta de visibilidade aprofunda vulnerabilidades. Assim, percebe-se que o desafio não é passageiro: conecta-se ao passado e impõe barreiras ao futuro. Superá-lo requer medidas articuladas, contínuas e inclusivas.
Diante disso, é necessário implementar ações voltadas à mitigação da mobilidade urbana precária e de seus reflexos na exclusão socioespacial. Cabe ao Estado, em parceria com os municípios, adotar medidas concretas — como ampliação e modernização dos transportes coletivos, incentivo ao uso de transportes sustentáveis (como ciclovias), revisão do planejamento urbano e maior investimento em tecnologias de monitoramento — acompanhadas de fiscalização regular e indicadores claros de avaliação, para assegurar eficácia. Além disso, a mobilização da sociedade civil é indispensável para que tais propostas não fiquem apenas no plano das intenções. Só por meio de iniciativas estruturadas e sustentáveis será possível transformar desafios históricos em oportunidades de progresso. Retomando a ideia inicial, enfrentar a precariedade da mobilidade urbana e a exclusão socioespacial é passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática.
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C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com boa estrutura sintática, com poucos desvios de pontuação, de grafia e de emprego do registro exigido.
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C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.
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C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
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C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
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C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora excelente proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. Trata-se de redação cuja proposta de intervenção seja muito bem elaborada, relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, abrangente e bem detalhada.
Principais erros: 1) Gramática/acentuação distribuídos (ex.: “século XXI-o ir e vir” com grafia confusa; “mobilidade urbana precária” repetido; alguns períodos longos). Sugestão: revisar para coesão: “Mobilidade urbana no século XXI: o ir e vir na sociedade brasileira.” 2) Coesão: há avanços de ideia, mas pequenas ambiguidades de conectivos entre parágrafos. Sugestão: usar conectivos explícitos (além disso, entretanto, consequentemente) para guiar a leitura. 3) Proposta de intervenção bem estruturada; melhorar precisão operativa: indicar metas, prazos e responsáveis específicos. Ex.: “Estado e municípios devem ampliar X% de corredores de ônibus até 2027, com metas de redução de tempo de viagem.”
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Competência 1 (Norma-Padrão): 160
- Há vocabulário adequado e concordâncias; porém, há alguns deslizes de pontuação, uso de termos e estruturações que passam próximo do padrão (ex.: “século XXI-o ir e vir” no enunciado; na redação, alguns períodos são longos e com vírgulas que poderiam ser melhor pontuadas). São mais de 6 e menos de 13 erros de variedade de tipos, portanto 120 ou 160? Aqui considero aproximadamente 8–12 erros não graves, portanto 120–160. Optei por 160 pela presença de boa construção e poucos deslizes graves.
Competência 2 (Compreensão do tema e organização): 160
- Aborda mobilidade urbana, desigualdade e referências teóricas ( Harvey, Milton Santos, Lefebvre) e discute estratégias. Estrutura básica (introdução, desenvolvimento, conclusão) presente, com ligação entre ideias. Poderia aprofundar mais a aplicação direta ao século XXI brasileiro e à noção de ir e vir como elemento cotidiano.
Competência 3 (Seleção, organização e interpretação de informações): 160
- Utiliza dados do IPEA e conceitos de espaço urbano para defender ponto de vista. Argumentos articulados, com continuidade entre ideias. Poderia haver maior distinção entre evidência empírica e interpretação, mas a linha de raciocínio é clara.
Competência 4 (Coesão e coerência): 160
- Conectivos e progressão lógica presentes, com encadeamento entre ideias históricas, dados e propostas. Alguns períodos muito longos poderiam atrapalhar a fluidez; reforçar marcadores de relação entre frases fortaleceria.
Competência 5 (Proposta de intervenção): 200
- Proposta com agentes (Estado, municípios, sociedade civil), ações (ampliação/modernização de transporte público, ciclovias, planejamento urbano, tecnologia de monitoramento) e finalidade (reduzir desigualdade, melhorar qualidade de vida). Elementos presentes com detalhamento suficiente para cada um, articulados à discussão desenvolvida.
Total: 160, 160, 160, 160, 200
Comentário amigável:
Você faz um bom fechamento do tema e utiliza referências relevantes para fundamentar