Diante desse panorama, é relevante destacar a insuficiência da ação estatal. Sob esse viés, o filósofo Nicolau Maquiavel afirma que os governantes orientam suas decisões pela lógica da manutenção do poder e relegam o bem comum a segundo plano. Nessa lógica de autopreservação, instala-se um quadro de negligência política: recursos destinados para garantir o acesso à cidadania e enfrentar a invisibilidade e registro civil no Brasil permanecem escassos porque políticas voltadas a essa pauta não geram retorno eleitoral significativo aos políticos. Para além disso, a agenda pública costuma ser moldada por interesses econômicos de grupos financeiramente privilegiados, que pressionam o Estado a priorizar demandas lucrativas, relegando demandas menos rentáveis — como Ministério da Cidadania — a um plano secundário. Por conseguinte, indivíduos que não possuem registro civil, não são considerados cidadãos para o Estado.
Ademais, a omissão social diante dos desafios para garantir o acesso à cidadania no Brasil contribui de forma decisiva para sua persistência. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt, em seu conceito de “banalidade do mal”, explica que problemas sociais se consolidam quando a população, por indiferença ou conformismo, aceita situações problemáticas como naturais. Sob essa ótica, nota-se que grande parte da sociedade tende a encarar o embate para garantir o acesso à cidadania e enfrentar a invisibilidade e registro civil como algo comum e pouco relevante, o que reduz debates públicos sobre o tema e enfraquece a pressão por políticas efetivas. Tal postura é alimentada por fatores como falte de políticas públicas eficazes e melhor administração do Poder Judiciário junto ao Ministério da Cidadania a crença de que a responsabilidade pela mudança cabe apenas ao Estado, o que gera um ciclo de passividade coletiva e legitima a permanência da injustiça. Assim, há a “banalização do mal” da falta de garantia do acesso à cidadania, na qual a gravidade do fenômeno se dilui e se converte em rotina socialmente aceita.
Portanto, cabe ao Estado — detentor de recursos para a transformação social — promover campanhas de conscientização popular, como "Registro civil salva sua cidadania", por meio de oficinas educativas e comerciais televisivos, a fim de mitigar os impactos da falta de acesso à cidadania. Outrossim, a mídia deve ampliar a divulgação sobre essa temática para mobilizar a sociedade e pressionar os governantes a combater a falta de acesso à cidadania. Assim, será possível romper o legado de desigualdade denunciado por Darcy Ribeiro e impedir que a falta de garantia do acesso à cidadania no Brasil continue a reproduzir as estruturas excludentes que marcam a história do país.
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C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com estrutura sintática mediana para o grau de escolaridade exigido, porém com alguns desvios morfossintáticos, de pontuação, de grafia ou de emprego do registro adequado ao tipo textual.
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C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.
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C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
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C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula bem as ideias, os argumentos, as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações.
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C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora excelente proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. Trata-se de redação cuja proposta de intervenção seja muito bem elaborada, relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, abrangente e bem detalhada.
Erros/limitações: comp1 (gramática): várias orações longas e pontuação inadequada; “Nicolau Maquiavel” deveria ser Niccolò/Maquiavel; alguns trechos com repetições e construções verbais descoordenadas. Sugestão: reduzir.partes, usar conectores explicativos: “além disso”, “por conseguinte”. comp2/comp3: domínio temático e organização, com uso de referências adequadas, ainda que hipotéticas. comp4: coesão pode melhorar com conectivos de consequência/contraste. comp5: proposta de intervenção existe, mas detalhar agente, ação, meio e finalidade de forma clara: ex.: Agência Nacional de Registro Civil (ação) com prazo (meio) objetivos de universalização (finalidade).
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