país e demonstra como a trajetória social e política do Brasil produziu desafios estruturais que
comprometem o avanço nacional. Ainda hoje, esse legado persiste e se expressa em múltiplos
âmbitos, sendo a evasão escolar um entrave expressivo ao desenvolvimento pleno da nação,
uma vez que a saída precoce de estudantes do sistema de ensino perpetua ciclos de pobreza,
amplia a desigualdade social e reduz a competitividade econômica do país. Por certo, tal
problemática persiste pelo descaso governamental e pela recorrente negligência social.
Diante desse panorama, é relevante destacar a insuficiência da ação estatal. Sob esse
viés, o filósofo Nicolau Maquiavel afirma que os governantes orientam suas decisões pela lógica
da manutenção do poder e relegam o bem comum a segundo plano. Nessa lógica de
autopreservação, instala-se um quadro de negligência política: recursos destinados a programas
de permanência escolar permanecem restritos a grupos reduzidos de estudantes porque
políticas voltadas a esse grupo não geram retorno eleitoral significativo aos políticos, já que essa
é uma população que, majoritariamente, não vota. Para além disso, a agenda pública costuma
ser moldada por interesses econômicos de grupos financeiramente privilegiados, que
pressionam o Estado a priorizar demandas lucrativas, relegando demandas menos rentáveis —
como investimentos em educação básica de qualidade e bolsas de apoio ao estudante — a um
plano secundário. Por conseguinte, o abandono escolar mantém milhões de jovens afastados de
melhores oportunidades de trabalho, favorecendo a exclusão social e reduzindo a mobilidade
econômica no país.
Ademais, a omissão social diante da exclusão educacional prematura contribui de forma
decisiva para sua persistência. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt, em seu conceito de
“banalidade do mal”, explica que problemas sociais se consolidam quando a população, por
indiferença ou conformismo, aceita situações problemáticas como naturais. Sob essa ótica,
nota-se que grande parte da sociedade tende a encarar crianças e adolescentes fora da escola,
trabalhando desde jovens, como algo comum e pouco relevante, o que reduz debates públicos
sobre o tema e enfraquece a pressão por políticas efetivas. Tal postura é alimentada por fatores
como a desvalorização histórica da educação, a normalização da necessidade de trabalhar cedo
para ajudar no sustento familiar e a crença de que a responsabilidade pela mudança cabe
apenas ao Estado, o que gera um ciclo de passividade coletiva e legitima a permanência da
injustiça. Assim, há a “banalização do mal” da evasão escolar, na qual a gravidade do fenômeno
se dilui e se converte em rotina socialmente aceita.
Portanto, cabe ao Estado — detentor de recursos para a transformação social —
promover campanhas de conscientização popular, como “Educação é Futuro”, por meio de
oficinas educativas em comunidades vulneráveis e comerciais televisivos que valorizem a
permanência de jovens na escola, a fim de mitigar os impactos do abandono prematuro dos
estudos. Outrossim, a mídia deve ampliar a divulgação sobre essa temática para mobilizar a
sociedade e pressionar os governantes a combater o abandono da escola com políticas de
apoio financeiro, psicológico e pedagógico aos estudantes em risco. Assim, será possível
romper o legado de desigualdade denunciado por Darcy Ribeiro e impedir que a evasão escolar
continue a reproduzir as estruturas excludentes que marcam a história do país.
-
C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com estrutura sintática mediana para o grau de escolaridade exigido, porém com alguns desvios morfossintáticos, de pontuação, de grafia ou de emprego do registro adequado ao tipo textual.
-
C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. Embora ainda possa apresentar alguns problemas no desenvolvimento das ideias, o tema, em seu texto, é bem desenvolvido, com indícios de autoria e certa distância do senso comum demonstrando bom domínio do tipo textual exigido.
-
C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
-
C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula bem as ideias, os argumentos, as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações.
-
C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora excelente proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. Trata-se de redação cuja proposta de intervenção seja muito bem elaborada, relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, abrangente e bem detalhada.
Erros/limites: Comp1: contém alguns deslizes gramaticais (ex.: uso de crase, pontuação em períodos longos). Sugestão: dividir orações longas, revisar pontuação: “...comprometem o avanço nacional. Ainda hoje...”. Comp2/3: boa compreensão e defesa do tema, porém poderia aprofundar mais dados específicos sobre evasão. Comp4: conectivos presentes, mas variações poderiam intensificar a coesão entre parágrafos. Comp5: intervenção com agentes/ações/meios/finalidade aparecem; detalhar mais um meio concreto (por exemplo, metas de bolsa, metas mensuráveis) para qualificar a proposta.
Para receber uma correção mais robusta e completa, com comentários detalhados, ative o Selo de Apoiador clicando em Desbloquear (acima), ou conquiste o Selo de Prioritário interagindo com outros usuários.