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Por Daaianaa
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A literatura constitui-se parte essencial para o desenvolvimento humano, uma vez que contribui não apenas para a formação intelectual do indivíduo, mas também para a construção de sua percepção sobre o mundo, sobre si e sobre o outro. Candido (1995) argumenta que a literatura amplia a sensibilidade, a capacidade de ver o outro e de ser visto, contribuindo para a formação de sujeitos críticos.
Para Candido (1995), a literatura é um dos meios mais potentes de humanização, pois amplia a sensibilidade e a compreensão do mundo e das relações humanas. Nesse sentido, sua função ultrapassa o campo estético, tornando-se também um instrumento de resistência e transformação social. Deste modo, em contextos como o de São Tomé e Príncipe, a literatura assume função de resistência simbólica. Ao narrar, ao resgatar memórias, ela refaz identidades historicamente silenciadas e reforça o direito à palavra.
Além de estimular o pensamento crítico, a literatura configura-se como um meio de produção e preservação do conhecimento e da cultura, capaz de assumir um papel de resistência, conscientização e humanização.
Dessa forma, a literatura pode ser compreendida como uma oportunidade, uma espécie de lente capaz de ampliar o olhar sobre o outro e sua história, de forma sensível e livre de preconceitos. Por meio dessa perspectiva, o presente estudo consiste em abordar a literatura de São Tomé e Príncipe como espaço de resistência e afirmação cultural do país.
A abordagem de Stuart Hall sobre a identidade cultural ajuda a pensar como as identidades africanas, pós-coloniais, se constroem em processo, não como entidades fixas, mas em fluxo e transformação constante. Segundo Hall (2006, p. 24), “identidade cultural é um tornar-se, e não apenas um ser”; “[...] É definida historicamente, e não biologicamente [...]” (2015, p. 11), o que implica que culturas como a de São Tomé e Príncipe estão continuamente se configurando e se reinventando.
A ideia de Hall reforça que a identidade é um processo dinâmico e relacional, constantemente atravessado por experiências históricas e culturais. No caso das ex-colônias africanas, essa perspectiva permite compreender que a formação identitária não se limita a heranças fixas, mas se constroi em meio a diálogos e conflitos entre o passado colonial e as expressões contemporâneas.
Segundo Hall (2015, p. 30), “[...] segue-se que a nação não é apenas uma entidade política, mas algo que produz sentidos - um sistema de representação cultural”. Essa concepção amplia o entendimento de nação como um conjunto de significados compartilhados, em vez de uma estrutura meramente institucional.
As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso - um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos [...] (Hall, 2015, p. 31).

Nesse contexto, a literatura se torna uma das principais formas de representação simbólica da nação, como no caso de São Tomé e Príncipe, onde a escrita literária dá forma à nação como espaço de pertencimento e reconstrução, articulando a dimensão política da identidade com a dimensão simbólica e cultural que a sustenta.
Conforme Ferreira (1987), a literatura africana de língua portuguesa nasce de uma dupla tensão: entre a herança colonial e o desejo de autodeterminação. Essa produção carrega, portanto, um caráter de afirmação e denúncia, sendo a escrita um gesto de libertação que expressa o despertar de consciências e o resgate da dignidade dos povos africanos. Na literatura de São Tomé e Príncipe, esse gesto se concretiza na revalorização da oralidade, dos mitos, das tradições e da memória coletiva, elementos que se tornam meios de preservar e projetar a identidade nacional.
Neste trabalho, a análise da literatura de São Tomé e Príncipe está organizada em dois períodos importantes para a compreensão da trajetória histórica e da formação cultural do país lusófono.
O conceito de lusofonia tem sido amplamente debatido por carregar em si tanto a ideia de união quanto de tensão entre os países de língua portuguesa. Embora o termo seja utilizado por sua praticidade e por remeter a uma história e língua compartilhadas, ele também revela contradições ao sugerir uma comunhão linguística que, muitas vezes, se sobrepõe às identidades culturais e regionais próprias de cada nação. Mata (2015, p. 127) diz que:
Apesar de ser ainda muito discutido, o termo Lusofonia continua também a ser largamente utilizado, quer nos espaços de língua portuguesa quer fora dele, tanto por ser, dizem os seus defensores, um termo com uma enorme economia linguística quando por designar um conjunto de países que partilham a mesma história. Esta última percepção decorre da ideia de a comunhão linguística se sobrepõe a outras afinidades que convergem para a afirmação identitária, que, a julgar pela construção ideológica do “império da língua”, se realiza além da plenitude das outras pertenças que esses países e povos têm, tendo em conta a região em que se inserem e a história que partilham com outras comunidades, para além da colonial [...].

Nessa perspectiva, a lusofonia pode ser compreendida não apenas como um espaço de conexão, mas também como uma construção ideológica que reflete resquícios do passado colonial. O conceito de lusofonia exige, portanto, uma análise crítica sobre como a língua portuguesa atua simultaneamente como elo e instrumento de poder nas relações entre os povos que a partilham.
A lusofonia enfrenta o desafio de construção de uma comunidade geocultural transnacional e transcontinental sob a égide da globalização econômico-financeira e sua forte tendência de homogeneização. De acordo com Mata (2015, p. 123):
[...] poder-se-ia falar da lusofonia como um compromisso de alteridades, de múltiplas identidades históricas unidas por um sentimento de pertença a outras entidades de matriz colonial, que se internacionalizam pela língua portuguesa. Esse processo, num mundo globalizado, pode influenciar a rede permeável de relações de hegemonia em termos linguísticos e culturais (decorrentes de relações de poder económico), em que não apenas os agentes como os produtos são diferentes, e, por essa diferença, secundarizados, no jogo de forças mundial.

A reflexão de Inocência Mata evidencia a complexidade da lusofonia enquanto espaço de múltiplas identidades em diálogo, mas também de tensões históricas e assimetrias herdadas do colonialismo. Ao descrever este espaço como um “compromisso de alteridade”, a autora destaca que a lusofonia não deve ser entendida como uma comunidade homogênea, mas como um tecido plural, composto por culturas que compartilham a língua portuguesa, mas vivenciam-na de modos distintos.
Nessa perspectiva, a língua atua simultaneamente como elemento de união e como marca das desigualdades que atravessam o espaço lusófono. Em um mundo globalizado, como aponta Mata (2015), as relações linguísticas e culturais ainda refletem hierarquias econômicas e simbólicas, nas quais as produções africanas, embora diversas e potentes, continuam sendo marginalizadas no circuito internacional.
Assim, reconhecer a lusofonia como “compromisso de alteridades” (Mata, 2015, p. 123) é também um convite à reconfiguração dessas relações, promovendo o diálogo entre as culturas e o fortalecimento das vozes historicamente secundarizadas, como a do arquipélago de São Tomé e Príncipe.
5.4 Globalização
Stuart Hall (2015, p. 68) entende a globalização como um processo de mudança na modernidade tardia que tem um impacto profundo e deslocador sobre as identidades culturais. A globalização não é um fenômeno novo, mas suas formas mais recentes e intensas estão produzindo uma série de movimentos que influenciam diretamente a construção da identidade nacional.
Embora a rápida difusão de informações proporcionada pela globalização represente, em muitos casos, um avanço, a exposição constante a culturas hegemônicas pode comprometer a preservação de tradições e expressões culturais africanas. Essa interação, frequentemente desigual, manifesta-se mais como um processo de imposição cultural do que uma troca intercultural equilibrada, resultando na sobreposição de valores e práticas estrangeiras em detrimento das identidades culturais locais. Queiroz (2009, p. 170) afirma que a:
situação de invisibilidade a que está relegado o continente africano diante do cenário mundial globalizado que vem servindo para reforçar o desinteresse, a desinformação e, consequentemente, o preconceito em relação às manifestações culturais e artísticas de seus povos, o que também compromete o conhecimento, a apreciação e o estudo de sua expressão literária.

Partindo disso, e pensando no contexto contemporâneo da globalização, marcado pela intensa circulação de informações e pela constante troca de elementos culturais, sobretudo por meio das redes sociais, torna-se essencial intensificar as discussões em torno das literaturas. Destacam-se, nesse sentido, aquelas produzidas em línguas maternas, que desempenham um papel fundamental na preservação das culturas e identidades, ainda que possuam menor alcance, por não se adequarem às dinâmicas dos algoritmos e às lógicas de visibilidade digital.
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    Erros de Norma: acentuação incorreta em nomes próprios (Candido -> Cândido), algumas inadequações de grafia e acentuação (constroi/constroi, constroí, etc.), uso inconsistente de maiúsculas/reticências e citações longas sem formatação adequada. Melhoria: revisar com cuidado a norma padrão, acentuações de nomes (Cândido, Hall), concordância verbal e o uso de aspas em citações; por exemplo, “Cândido (1995) argumenta…” e “segundo Hall (2015, p. 30)”. Coerência/coesão: há repetições e trechos redundantes; utilize conectivos explicativos como: ademais, portanto, assim, no entanto, por conseguinte, paraurther esclarecer o argumento. Intervenção: a seção de proposta não apresenta agente, ação, meio e finalidade; desenvolva uma intervenção concreta com: agente (ex.: governo, escola, comunidade), ação (ex.: implementação de programas de leitura), meio (ex.: políticas públicas, plataformas digitais), finalidade (ex.: valorizar a identidade cultural e reduzir desigualdades). Ex.: Proposta de intervenção: o Estado, junto a redes de bibliotecas, promova oficinas de leitura de autores de São Tomé e Príncipe, com metas de distribuição de 5.000 exemplares e avaliação de impacto em 12 meses, visando fortalecer a cidadania cultural e o acesso à memória nacional.

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  1. C1 norma-padrão

    Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com estrutura sintática mediana para o grau de escolaridade exigido, porém com alguns desvios morfossintáticos, de pontuação, de grafia ou de emprego do registro adequado ao tipo textual.

  2. C2 Compreensão da proposta

    Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.

  3. C3 seleção de argumentos

    Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, ou seja, os argumentos, embora ainda possam ser previsíveis, estão organizados e relacionados de forma consistente ao ponto de vista defendido e ao tema proposto, e há indícios de autoria.

  4. C4 construção de argumentos

    Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.

  5. C5 Proposta de Intervenção

    Você não atingiu os critérios definidos na Competência 5. O participante não apresenta proposta de intervenção ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto.

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