Inicialmente, a presença de crianças na internet estava relacionada à diversão e à participação em tendências virais. Contudo, o que era espontâneo transformou-se em ferramenta para ganhar seguidores e gerar lucro, impulsionando uma cultura de exposição que ultrapassa limites éticos. Muitas plataformas não dispõem de mecanismos eficazes de fiscalização, e, em alguns casos, os próprios responsáveis incentivam essa exposição, movidos pela busca de visibilidade. Como resultado, crianças passam a atuar como produtoras de conteúdo sem a maturidade emocional necessária, tornando-se vulneráveis a riscos psicológicos, sociais e até criminais, incluindo o assédio e o aliciamento.
Ademais, a naturalização dessa prática reforça estereótipos prejudiciais e contribui para a objetificação do corpo feminino desde a infância, perpetuando desigualdades e violências.
A banalização da adultização infantil transforma a infância em produto de consumo, ignorando o direito à proteção integral assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Diante disso, é fundamental que o tema seja amplamente discutido e enfrentado por meio de ações conjuntas entre Estado, escolas, famílias e plataformas digitais. É necessário fortalecer mecanismos de fiscalização, promover campanhas educativas e orientar pais e responsáveis sobre os riscos das exposições excessivas. Somente assim será possível assegurar uma infância protegida, saudável e respeitada, livre da pressão por visibilidade e da distorção provocada pela lógica das redes sociais.
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C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita, neste nível, são aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizam reincidência.
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C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.
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C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
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C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula bem as ideias, os argumentos, as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações.
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C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, articulada e abrangente, ainda que sem suficiente detalhamento.
Principais pontos e sugestões de melhoria
Gramática/forma (observações e correções)
- Erro relevante: nenhum erro gramatical significativo identificado. Texto bem escrito e normativamente correto.
- Sugestão de estilo: evitar a expressão ambígua "meninas menores". Trecho: "vídeos que expõem meninas menores em situações de sexualização". Correção sugerida: "vídeos que expõem meninas menores de idade em situações de sexualização" ou simplesmente "meninas menores de idade".
Desenvolvimento do tema (melhorias de conteúdo)
- Observação: bom uso de contextualização histórica (Instituto Alana) e desenvolvimento do problema com causas e consequências. Para fortalecer a argumentação, acrescente dados empíricos ou referências (estatísticas sobre casos, estudos psicológicos, decisões judiciais). Ex.: inserir: "Segundo estudo X (ano), Y% das crianças expostas em redes sociais apresentaram sinais de ansiedade".
- Exemplo de frase para enriquecer: "Dados da (instituição/estudo) indicam que X% das crianças expostas em plataformas digitais apresentam maior risco de assédio e problemas psicológicos, o que reforça a necessidade de regulação."
Seleção e organização de argumentos
- Observação: argumentos bem hierarquizados (origem, transformação com redes sociais, riscos, naturalização e consequências). Para aumentar a força persuasiva, inclua um contra-argumento curto e sua refutação (por ex., defesa da exposição por suposto aumento de oportunidades) e refute-o com evidências.
- Exemplo de contra-argumento e resposta: "Alguns defendem que a exposição pode trazer oportunidades financeiras à família; contudo, sem proteção adequada, tais ganhos ocorrem à custa da saúde psicológica da criança e sem garantias legais de segurança."
Coesão e progressão lógica
- Observação: uso adequado de conectivos (Inicialmente, Contudo, Como resultado, Ademais, Diante disso). Progressão clara entre parágrafos.
- Pequena sugestão: unir mais explicitamente a parte que cita o ECA e a proposta de intervenção com um conector causal: "Dado que o ECA assegura a proteção integral, torna-se urgente...".
Proposta de intervenção (detalhar para atingir nota máxima)
- Problema identificado: a proposta traz agentes (Estado, escolas, famílias, plataformas), ações (fortalecer fiscalização, campanhas, orientar pais) e finalidade (assegurar infância protegida), mas carece de detalhamento operacional.
- Proposta reescrita e detalhada (contém agente, ação, meio e finalidade):
- Agente: Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Conselhos Tutelares e plataformas digitais.
- Ação: criar e aplicar um regulamento nacional que imponha obrigações às plataformas (verificação mínima de idade, bloqueio de monetização de conteúdo com menores sem autorização, moderação proativa de vídeos sexualizadores) e programas de formação para pais e professores.
- Meio: convênios públicos-privados para desenvolver tecnologia de verificação etária e filtros; campanhas nacionais de educação digital em escolas públicas e privadas; fiscalização com sanções administrativas e multas progressivas às plataformas que não cumprirem; linhas diretas para denúncias e apoio a vítimas.
- Finalidade: reduzir a exposição e sexualização de crianças nas redes, prevenir assédio e violência, garantir direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
- Exemplo de redação da intervenção a inserir no parágrafo final: "Propõe-se que o Estado (Ministério da Justiça e órgãos de proteção à infância), em parceria com plataformas digitais e redes de ensino, implemente um programa nacional que obrigue verificação etária, limite a monetização de conteúdos com menores, financie formação para pais e professores e estabeleça mecanismo de denúncia e fiscalização — medidas que visam assegurar a proteção integral das crianças e prevenir sua sexualização nas redes."
Resumo das principais melhorias concretas
- Substituir "meninas menores" por "meninas menores de idade".
- Incluir pelo menos uma evidência empírica ou referência para reforçar a argumentação.
- Inserir um contra-argumento curto e sua refutação para aumentar robustez retórica.
- Detalhar a proposta de intervenção com agentes, ações, meios e finalidade (modelo sugerido acima) para alcançar a nota máxima na última competência.
Consideração final
Texto bem articulado, domínio da norma-padrão e progressão lógica clara. Com o detalhamento operacional da proposta de intervenção e a inclusão de dados ou exemplos concretos, o texto alcançaria desempenho pleno em todas as competências.