Nesse sentido, o uso desse tipo de arquitetura representa uma forma de perpetuar a exclusão social. Isso porque, ao utilizar-se dela, ocorre uma tentativa de segregação de classes, fomentando, ainda mais, o estigma sobre as pessoas em situação de rua. Sob esta ótica, Hanna Arendt teoriza a "Banalidade do Mal", em que descreve que a prática de atos terríveis por pessoas comuns, não por serem más, mas por não questionarem se suas ações são, de fato, boas ou apenas evidenciam o pensamento de um sistema segregatório. Consoante a isso, é evidente a ineficiência do Estado na promoção do bem-estar para todos os cidadãos. Visto que, crentes de estarem beneficiando uma parcela populacional, acabam por excluir e marginalizar outra, essa que se encontra em situação de vulnerabilidade social.
Outrossim, apesar de existirem projetos de lei voltados à preservação da vida dos moradores de rua, há, no entanto, uma grave deficiência nesses projetos. Pois não têm por objetivo a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, a Declaração Universal dos Direitos Humanos versa sobre o direito ao trabalho, que deve ser livre, justo e remunerado para todos os cidadãos. Em desacordo com isso, é notório que nem todos os requisitos são respeitados no Brasil. Dado que o enfoque das leis pautadas no bem-estar social volta-se às classes mais abastadas do país, em detrimento das demais. Por conseguinte, continuam a invisibilizar os interesses das classes menos favorecidas financeiramente.
Entende-se, diante do exposto, que a utilização de arquitetura hostil e locais desurbanizados é consequência direta do descaso estatal com seus cidadãos menos afortunados. Urge, portanto, que o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social - órgão responsável pelas políticas públicas de redução da vulnerabilidade social - junto ao Judiciário, crie projetos de mudanças no ordenamento jurídico, por meio da criação de emendas constitucionais, a fim de garantir o bem-estar dos cidadãos marginalizados. Assim, com foco nessas pessoas, o país cumprirá com os ODS.
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C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com estrutura sintática mediana para o grau de escolaridade exigido, porém com alguns desvios morfossintáticos, de pontuação, de grafia ou de emprego do registro adequado ao tipo textual.
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C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. Embora ainda possa apresentar alguns problemas no desenvolvimento das ideias, o tema, em seu texto, é bem desenvolvido, com indícios de autoria e certa distância do senso comum demonstrando bom domínio do tipo textual exigido.
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C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, ou seja, os argumentos, embora ainda possam ser previsíveis, estão organizados e relacionados de forma consistente ao ponto de vista defendido e ao tema proposto, e há indícios de autoria.
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C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula de forma mediana as partes do texto com inadequações ou alguns desvios e apresenta repertório pouco diversificado de recursos coesivos.
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C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, articulada e abrangente, ainda que sem suficiente detalhamento.
Principais erros identificados e sugestões de correção
Competência 1 (Norma-padrão) — erros e correções
- Falta de artigo: “erradicar a pobreza e marginalização.” → sugerido: “erradicar a pobreza e a marginalização.”
- Fragmentos e construção incompleta: “Além da falta de projetos que consolidem essas pessoas na esfera social e as insiram no mercado de trabalho.” (frase solta) → reescrever: “Além disso, há falta de projetos que consolidem essas pessoas na esfera social e as insiram no mercado de trabalho.”
- Concordância/estrutura subordinada incorreta: “Visto que, crentes de estarem beneficiando uma parcela populacional, acabam por excluir...” → sugerido: “Visto que, crendo estar beneficiando uma parcela da população, as autoridades acabam por excluir...” ou “na crença de que estão beneficiando uma parcela populacional, acabam por excluir...”
- Uso inadequado de preposição: “cumprirá com os ODS” → sugerido: “cumprirá os ODS” ou “cumprirá as metas dos ODS.”
- Grafia do nome próprio: “Hanna Arendt” → correto: “Hannah Arendt.”
- Pontuação e início de frase com conectivo causando frase isolada: “Dado que o enfoque... volta-se às classes...” (frase iniciada por ‘Dado que’ sem oração principal) → reescrever combinando com a frase seguinte: “Dado que o enfoque das leis voltadas ao bem-estar social se volta às classes mais abastadas, as demais continuam invisibilizadas.”
Competência 2 (Desenvolvimento do tema)
- Pontos fortes: tema compreendido; há introdução, desenvolvimento e conclusão; uso de referências (ODS, Declaração Universal, Arendt).
- Pontos a melhorar: aprofundar a explicitação de como elementos da “arquitetura hostil” atuam concretamente (ex.: bancos com divisórias, pinos anti-pernoite) e trazer dados ou exemplos locais para sustentar a afirmação sobre falha estatal. Sugestão de frase: “Exemplos de arquitetura hostil — bancos com divisórias e pinos anti-pernoite — expulsam pessoas em situação de rua e reduzem sua presença em espaços públicos, conforme denúncias em [fonte/município].”
Competência 3 (Argumentação e seleção de informações)
- Erro: afirmações genéricas sem evidência: “o enfoque das leis ... volta-se às classes mais abastadas” / “é notório que nem todos os requisitos são respeitados no Brasil.” → corrija incluindo fonte, dado ou exemplo concreto (lei, projeto municipal, estudo social) ou reformule para hipótese argumentada: “observa-se, em muitos casos municipais, prioridade a intervenções estéticas que beneficiam classes mais favorecidas.”
- Organizar melhor a progressão argumentativa: apresente problema (arquitetura hostil), causas (descaso/estigma), consequências (invisibilização e expulsão), e só então abra espaço para soluções com medidas específicas.
Competência 4 (Coesão e coerência)
- Uso inadequado ou repetitivo de conectivos e orações soltas: evitar iniciar frases com “Pois” em forma isolada; unir orações para manter fluxo.
- Exemplo de reescrita para maior coesão: em vez de “Outrossim, apesar de existirem projetos de lei... há, no entanto, uma grave deficiência nesses projetos. Pois não têm por objetivo...” → “Outrossim, embora existam projetos de lei voltados à preservação da vida dos moradores de rua, estes apresentam deficiência: não têm como objetivo a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.”
- Evitar pleonasmos e repetições (“crie projetos de mudanças” / “por meio da criação de emendas constitucionais”); ser direto: “proponha emendas constitucionais para garantir...”
Competência 5 (Proposta de intervenção)
- A proposta apresenta agente (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Judiciário), ação (criar projetos de mudanças no ordenamento jurídico), meio (criação de emendas constitucionais) e finalidade (garantir bem-estar dos marginalizados). Falta, porém, detalhamento operacional.
- Sugestão de detalhamento: indicar medidas concretas, agentes e mecanismos de execução e avaliação. Exemplo de proposta reescrita: “O Ministério da Cidadania, em parceria com o Congresso Nacional e com órgãos municipais de habitação, deve elaborar e encaminhar emenda constitucional que obrigue municípios a proibir práticas de arquitetura hostil em espaços públicos, condicionando repasses federais a planos municipais de inclusão social; como meios, criar programas de emprego e capacitação para pessoas em situação de rua e mecanismos de fiscalização pelo Ministério Público; finalidade: reduzir a exclusão e assegurar o direito à cidade.”
Observações finais
- Revisar coesão entre períodos, evitar frases soltas iniciadas por conectivos subordinantes, corrigir erros formais apontados e acrescentar dados ou exemplos concretos para fortalecer a argumentação. Reescrever a intervenção com agentes e passos executáveis melhora a Competência 5.