Por Luiz0121
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A obra "Cidadania de Papel", de Gilberto Dimenstein, parte do princípio de que os direitos constitucionalmente assegurados não se efetivam na prática. Em conformidade com essa perspectiva está a sociedade brasileira hodierna, em meio a qual o direito à documentação é falho. Sob esse viés, revela-se o impasse relacionado à garantia de acesso à cidadania, responsável pela invisibilidade de muitos perante o Estado. Nesse ínterim, é pertinente considerar o silenciamento por parte da conjuntura social e a carência de ações governamentais frente à problemática.
Em primeiro plano, convém analisar o papel da sociedade no tocante a perpetuação do impasse. Frente a esse contexto, a crônica "Eu sei, mas não devia", de Marina Colasanti, discute sobre o modo como a sociedade contemporânea banaliza os seus problemas. De maneira análoga, a realidade brasileira não é diferente, haja vista a falta de debates e discussões em relação à parcela da população que não é considerada cidadã.
Outrossim, as poucas ações governamentais voltadas à resolução da problemática contribui para que ela perdure. Nesse contexto, é digna de nota a teoria das "Instituições zumbis", confeccionada por Zygmunt Bauman para explicar o fato de que as instituições sociais não cumprem devidamente com as suas funções. Sob tal perspectiva, o Estado brasileiro deixa de cumprir com a sua atribuição de manter a harmonia social, visto que o direito à cidadania não efetivado promove a desarmonia.
Destarte, urge a necessidade de que medidas interventivas sejam tomadas. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, elaborar e executar um projeto nacional voltado à manutenção da garantia de acesso à cidadania no Brasil, a exemplo de campanhas que regularizem a situação daqueles que não possuem seus devidos documentos. Por meio dessa ação, cuja finalidade é propiciar a todos a atribuição básica de cidadão e, além disso, fomentar a discussão acerca do tema no meio social, o cenário brasileiro irá se distanciar da perspectiva apresentada por Gilberto Dimenstein.
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