No Brasil Colônia, a educação já nasce excludente. Os jesuítas detiveram o monopólio do ensino por 210 anos e tinham como prioridade a catequização. Como aponta Fernando Azevedo, era uma educação "aristocrática, mantida para uma elite", destinada apenas aos filhos dos senhores de terra. Após a expulsão dos jesuítas em 1759, as aulas régias do Marquês de Pombal continuaram a servir aos interesses da Coroa. Mesmo com a Independência, a Constituição de 1824 previa instrução primária gratuita, mas essa determinação nunca foi cumprida. O Colégio Pedro II, criado em 1837, consolidou o ensino secundário para a elite, enquanto os escravos eram proibidos por lei de frequentar a escola. O resultado desse descaso foi que, em 1900, o país tinha 75% de analfabetos.
No século XX, houve tentativas de romper com essa dualidade. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, defendeu uma escola pública, gratuita e laica para todos. No entanto, a Constituição de 1937, do Estado Novo, retirou a obrigação do Estado com a educação e instituiu taxas para o ensino elementar. Durante a ditadura militar, o método de Paulo Freire foi considerado subversivo por "despertar os trabalhadores para a condição de explorados" e foi substituído pelo MOBRAL. O Decreto 477/1969 criminalizou o pensamento crítico nas universidades. Já na redemocratização, conquistas como a Constituição de 1988 e a LDB 9.394/96 foram importantes, mas, segundo Libâneo, 2012, p.13, as políticas do Banco Mundial para países em desenvolvimento ajudaram a explicar "o incessante declínio da escola pública brasileira nos últimos trinta anos".
No século XXI, a dualidade ganhou nova roupagem. Projetos como a BNCC e o FUTURE-SE seguem orientações do Banco Mundial, FMI e OMC. O artigo cita que esses documentos "não ocultam a intencionalidade de ver o ensino superior público e gratuito ofertado pelas universidades e os institutos federais, meras cantilenas privadas". Os dados do PISA comprovam a desigualdade: escolas privadas de elite do Brasil estariam em 5º lugar no mundo em leitura, enquanto as públicas ficariam 60 posições atrás. Isso ocorre em um contexto de cortes bilionários e ataques às universidades públicas.
Portanto, a história da educação brasileira é a história de uma luta contra a dualidade. O "atraso político associado ao papel secundário histórico na economia" criou as bases para essa divisão. As mudanças nunca vieram de revoluções, mas de interesses das classes dominantes. Por isso, não se pode julgar a escola pública como "incompetente" sem analisar suas condições estruturais. Superar essa dualidade exige construir uma educação que desenvolva os indivíduos de forma omnilateral e promova uma sociedade justa. Enquanto o conhecimento for tratado como mercadoria, "dosado em doses homeopáticas" para o povo, como diria Adam Smith, referenciado no artigo, a dualidade continuará.
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C1 norma-padrão
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 1, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita, ou seja, apresenta um texto com boa estrutura sintática, com poucos desvios de pontuação, de grafia e de emprego do registro exigido.
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C2 Compreensão da proposta
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 2, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e autoral, por meio do acesso a outras áreas do conhecimento, com progressão fluente e articulada ao projeto do texto.
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C3 seleção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 100% da pontuação prevista para a Competência 3, atendendo aos critérios definidos a seguir. Em defesa de um ponto de vista, o texto apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada, configurando autoria, ou seja, os argumentos selecionados estão organizados e relacionados de forma consistente com o ponto de vista defendido e com o tema proposto, configurando-se independência de pensamento e autoria.
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C4 construção de argumentos
Você atingiu aproximadamente 80% da pontuação prevista para a Competência 4, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
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C5 Proposta de Intervenção
Você atingiu aproximadamente 60% da pontuação prevista para a Competência 5, atendendo aos critérios definidos a seguir. O participante elabora, de forma mediana, pouco consistente, proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
Erros: (Comp.1) poucos deslizes de pontuação e uso de aspas em citações; (Comp.4) conexões entre parágrafos são comuns, mas há variações de conectivos que podem melhorar a progressão (ex.: “além disso”, “porém”, “em contrapartida”). (Comp.5) não há uma proposta de intervenção detalhada com agente, ação, meio e finalidade. Melhorias: reescrever trechos com conectivos claros entre ideias (introdução → desenvolvimento → conclusão); incluir uma proposta de intervenção específica, por exemplo: “agente: governo federal; ação: ampliar o financiamento; meio: ampliar o orçamento da educação; finalidade: reduzir desigualdades”.
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